A Bacia

Caracterização da bacia do rio Verde Grande

O rio Verde Grande é curso d’água que nasce no povoado de Alto Belo no município de Bocaiuva, em Minas Gerais e sua foz fica em Malhada, na Bahia. Possui 557 km de extensão e uma área de 31.410 km² (INEMA, s.d).

Por abranger limites entre os estados de Minas Gerais e da Bahia, o rio Verde Grande, assim como seu afluente o rio Verde Pequeno, é considerado um rio de domínio da União.

A bacia está localizada entre os paralelos 14020′ e 17014′ de latitude Sul e meridianos 42030′ e 44015′ de longitude Oeste, drena uma área aproximada de 30.420 km², sendo que desse total 87% pertencem ao Estado de Minas Gerais e o restante, 13%, ao Estado da Bahia.

Estão inseridos nessa região trinta e cinco municípios, sendo vinte e sete municípios mineiros e oito baianos, dentre eles, Montes Claros; Guaraciama; Glaucilândia; Juramento; Francisco Sá; Mirabela; Capitão Enéas; Patis; Bocaiuva; Ibiracatu; São João da Ponte; Janaúba; Porteirinha; Nova Porteirinha; Riacho dos Machados; Serranópolis de Minas; Pai Pedro; Jaíba; Varzelândia; Matias; Cardoso; Monte Azul; Mato Verde; Catuti; Mamonas; Espinosa e Gameleira em Minas Gerais. Já no estado da Bahia estão os municípios de Jacaraci; Sebastião Laranjeiras; Malhada; Urandi; Mortugaba; Iuiú; Palma dos Montes Alta e Pindaí.

A bacia do rio Verde Grande no contexto do rio São Francisco

A Bacia Hidrográfica do rio Verde Grande, integrante da Bacia do rio São Francisco, drena uma área aproximada de 31.410 km², sendo que desse total 87% pertencem ao Estado de Minas Gerais e o restante, 13%, ao Estado da Bahia. Estão inseridos nessa região 35 (trinta e cinco) municípios, sendo 27 (vinte e sete) mineiros e 8 (oito) baianos.

A figura abaixo apresenta os municípios que integram a Bacia do rio Verde Grande:

Caracterização Física e Biótica

Localizada na região do semiárido brasileiro (Norte de Minas e Oeste da Bahia), a bacia do rio Verde Grande possui, conforme a classificação de Köppen, clima tropical quente e úmido do tipo Aw, que se caracteriza por verões quentes e invernos secos com temperaturas mais amenas. A sazonalidade é outro fator marcante do clima da Bacia, em que se observa uma estação chuvosa (outubro a março) e uma estação seca (abril a setembro) bastante definidas. No período de chuvas ocorre mais de 90% da precipitação anual.

A fitofisionomia da região da bacia do rio Verde Grande se caracteriza como uma zona de transição entre o Cerrado e a Caatinga, com presença de remanescentes de Mata Seca. O relevo, em sua maior extensão, é bastante plano, sendo as altitudes mais elevadas observadas nas áreas do Médio e Baixo Gorutuba e Alto Verde Pequeno. É importante destacar que devido a geologia cárstica, característica da região, é possível identificar sumidouros naturais em pontos ao longo da porção do Médio Verde Grande. No período de seca, a vazão do rio Verde Grande fica comprometida, pois a água do rio recarrega o aquífero adjacente à margem esquerda do rio por meio desses “buracos”.

Socioeconomia

A configuração econômica da Bacia é marcada por atividades do setor de Serviços e Indústria que possuem maior representatividade no PIB, com destaque para Montes Claros como principal polo regional e outros municípios como Janaúba, Jaíba, Porteirinha (MG) e Urandi (BA). Porém, a agropecuária é a atividade que demanda maior consumo de água na Bacia e é também responsável pelo emprego de 50% da população economicamente ativa. Na produção agrícola, o principal cultivo temporário é o milho, seguido dos cultivos de feijão e algodão. Dentre os cultivos, permanentes, destacam-se a banana, manga, coco, limão, laranja, café e mamão. Estima-se que a Bacia possua uma área de 38,7 mil hectares irrigados, com ênfase para o Projeto Jaíba, o maior projeto de irrigação da América Latina.

Uso do Solo

Quanto ao uso e ocupação do solo é predominante na bacia duas grandes categorias: uso antrópico (53%) e a cobertura natural (47%). O uso antrópico corresponde a todas as atividades socioeconômicas, tais como agropecuária, urbanização e irrigação. Já a cobertura natural, refere-se às feições naturais, ainda que não totalmente preservadas, com destaque para a presença dos remanescentes de vegetação de áreas protegidas no Alto Gorutuba, Alto Verde Grande e no Baixo Verde Grande.

Cenário de escassez hídrica e consequentes conflitos pelo uso da água

Estima-se que mais de 800 mil pessoas vivem na bacia do rio Verde Grande, sendo que 40% dessa população reside em Montes Claros (principal polo urbano da bacia). Este cenário acarreta problemas relacionados ao abastecimento deste contingente populacional, e em consequência disso, problemas ambientais relacionados a esgotamento sanitário e disposição/tratamento de resíduos sólidos. Além disso, esse indicador traz à tona um dos graves problemas sociais identificados na bacia: o êxodo rural, principalmente para o município de Montes Claros, em decorrência da redução da disponibilidade de recursos hídricos nas áreas rurais, culminando com a miserabilidade das famílias de pequenos produtores.

Em face da crescente demanda por água na bacia, devido principalmente à expansão de áreas irrigadas e ao crescimento populacional, foram construídas as barragens do Bico da Pedra (sub-bacia Alto Gorutuba), Estreito e Cova da Mandioca (sub-bacia Alto Verde Pequeno) e Juramento (sub-bacia Alto Verde Grande). A implantação dos reservatórios contribuiu para regularizar as vazões nos principais rios da Bacia e assim, garantir o atendimento aos diversos usos. Porém, os conflitos pelo uso da água na região que se iniciou na década de 80, vêm se intensificando e tem sido agravados pela diminuição da precipitação pluviométrica observada nos últimos quatro anos, degradação do solo, supressão da vegetação natural, além do aumento da explotação de águas subterrâneas, que se faz, majoritariamente, em desconformidade com os procedimentos legais vigentes.

Encontro do rio Verde Grande com o rio São Francisco no município de Matias Cardoso, extremo norte de Minas Gerais

Encontro do rio Verde Grande com o rio São Francisco, no município de Matias Cardoso, extremo norte de Minas Gerais. Foto: Francisco de Assis Pereira

Clima

A bacia do Verde Grande possui grande variabilidade espacial da chuva. O total anual médio precipitado é da ordem de 785 mm, sendo que os mais altos índices se concentram nas cabeceiras da Bacia, atingindo valores anuais superiores a 1.300 mm. Esses índices vão diminuindo gradualmente em direção ao centro da Bacia e em parte de sua porção norte, próximo ao município de Pindaí, até atingir valores inferiores a 700 mm.
A distribuição da chuva na Bacia ao longo do ano revela a existência nítida das estações seca e úmida. A análise da ocorrência de chuvas em anos diferentes mostra que em cerca de 20% dos anos, identificados como os mais secos, a chuva na Bacia é inferior a 70% da chuva anual média, enquanto que no outro extremo, 20% dos anos, identificados como os mais úmidos, a chuva é superior a 130% da chuva anual média. Este fato comprova a elevada variabilidade do regime de chuvas, o que se reflete no potencial hídrico dos mananciais da Bacia, superficiais e subterrâneos.

Cobertura Vegetal

Por encontrar-se numa zona de transição entre as formações florestais de cerrado e caatinga, a vegetação predominante está diretamente relacionada com os tipos de solos existentes, que variam entre cerrado, floresta/caatinga e caatinga. Dentre as árvores que constituem o seu estrato mais alto, encontram-se espécies de Aroeira, Angico, Pau-Preto, Peroba e Barriguda. No estrato arbustivo são encontradas espécies como Catingueira, Imburana-de –Cambão, Cansanção, Caroá, alguns cipós e epífitas. No estrato herbáceo, predomina o Capim Amargoso.
Os solos predominantes são os do tipo latossolos vermelhos e amarelos, podendo-se encontrar ainda os do tipo cambissolos, areias quatzosas e podzólicas
(NIMER, 1977).

Principais Rios

Rio Gorutuba; Rio da Água Quente; Rio Cana-brava; Ribeirão Boa Vista; Rio do Vieira; Rio da Prata; Rio Juramento; Rio Saracura; Rio Verde Pequeno; Ribeirão Baixa da Mula; Rio Verde Pequeno; Riacho da Macaca; Ribeirão do Poço Triste; Riacho da Mandiroba; Riacho do Aurélio; Córrego Olho-d’água; Rio Jacu; Ribeirão Jacu; Rio Tabuleiro; Rio Serra Branca; Córrego Furado Novo; Córrego Bom Jardim; Córrego Veredas das Águas; Rio Arapoim; Riacho Salobro; Ribeirão do Ouro; Rio Suçuapara; Rio Jacuí; Rio Barreiras; Rio São Domingos; Rio Quem Quem; Córrego Corgão; Rio Verde Grande; Córrego Macaúbas; Córrego São Vicente.